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segunda-feira, 7 de Junho de 2010

Pele e Sida - IV


Infecções por fungos

A candidíase oral pode ser um dos primeiros sinais da doença pelo VIH. É considerada um marcador de progressão da doença. Pode-se complicar com atingimento esofágico.

Manifesta-se habitualmente na forma pseudo-membranosa, com as falsas membranas esbranquiçadas, mas também podem surgir formas atróficas ou eritematosas que podem passar despercebidas e a forma hiperplásica mais frequente nos doentes mais imunodepremidos.

O tratamento deve ser feito com anti fúngicos tópicos ou orais. No entanto a recidiva é frequente pelo que é necessário, por vezes, efectuar tratamentos prolongados.

As dermatofitias são relativamente frequentes. A grande maioria mantém as características habituais dos doentes imunocompetentes. No entanto, observam-se por vezes onicomicoses exuberantes, esbranquiçadas com atingimento de todas as unhas. Mais característico em relação à infecção VIH é o aparecimento de onicomicose subungueal proximal que é altamente sugestiva desta patologia.

Em relação às micoses profundas referência para a criptococose que pode ser causa de meningite. O envolvimento cutâneo é menos frequente e manifesta-se por pápulas e nódulos que se podem confundir com moluscos contagiosos principalmente quando ocorrem na face. Podem preceder a disseminação da doença pelo que as lesões sugestivas deverão ser biopsadas.

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sábado, 5 de Junho de 2010

Pele e Sida - III


Infecções bacterianas

O Staphilococcus aureus é o agente mais frequentemente isolado. Clinicamente, foliculites, furúnculos, impétigo e éctima são as situações mais frequentes mas também podem observar-se erisipelas e celulites. São difíceis de tratar porquanto tendem a tornar-se recorrentes, pelo que também se devem procurar tratar os factores predisponentes (eczema, escoriações, intertrigo e locais de injecção em toxicodependentes).

Com o aparecimento da infecção pelo VIH surgiu também uma nova entidade, a angiomatose bacilar, neoformação vascular que se manifesta por pápulas e nódulos violáceos ou eritematosos, que podem surgir em qualquer local da pele e que se poderão confundir com Sarcoma de Kaposi ou granuloma piogénico. É provocada pela Bartonella henselae ou pela Bartonella quintana que é sensível à eritromicina. Pode surgir disseminação sistémica que leve à morte, pelo que devemos estar atentos para esta entidade.

Ainda neste grupo de doenças referência especial à sífilis. Doentes com ulcerações genitais têm maior risco de adquirir infecção pelo VIH. Por outro lado a sífilis está a aumentar no nosso país, pelo que o despiste de infecção pelo VIH e de sífilis em todos os doentes com comportamento de risco é fundamental. Nos doentes VIH positivos a seroconversão da sífilis pode estar retardada e podem surgir formas graves, muito rapidamente. No início deve ser feito exame do líquor e controlo laboratorial apertado, post-tratamento.


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quinta-feira, 3 de Junho de 2010

Pele e Sida - II


Durante o curso da infecção pelo vírus da imunodeficiência humana o aparecimento de problemas dermatológicos é muito frequente. Se bem que grande parte das doenças cutâneas sejam semelhantes às dos doentes imunocompetentes é frequente observar-se alterações das suas características à medida que o estado imunitário se degrada. Por outro lado muitas vezes são a primeira manifestação de doença pelo VIH pelo que convém estar alertado para as características particulares que poderão adquirir.
Também foram descritas pela primeira vez doenças até agora desconhecidas- angiomatose bacilar, tricoleucoplasia.
Com a introdução de terapêuticas anti-retrovirais altamente agressivas verificou-se alteração do comportamento de algumas doenças - Sarcoma Kaposi, Herpes Zooster.
Iremos abordar as manifestações cutâneas infecciosas, neoplásicas e outras, realçando as várias particularidades - aspectos atípicos, exuberância e resposta à melhoria ou degradação do estado imunitário.

MANIFESTAÇÕES CUTÂNEAS DA SIDA

Desde que em 1981 surgiu a infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH) cedo se constatou que eram frequentes os problemas dermatológicos, sendo raríssimos os doentes que nunca tinham qualquer afecção cutânea. Rapidamente se verificou que as doenças cutâneas adquiriam características atípicas, pouco habituais e que em alguns casos eram a primeira manifestação da doença.

Até 1997, data da introdução de terapêuticas altamente agressiva (associação de 3 ou 4 antiretrovirais e com a inclusão dos inibidores da protease) a exuberância e atipia das doenças infecciosas e neoplásicas eram as características mais constantes, o que mais impressionava. Com estes novos tratamentos e consequente recuperação da imunidade verificou-se que grande parte destas situações perdeu a sua exuberância. Hoje em dia a maioria das situações que se observam é de carácter inflamatório inespecífico.

De qualquer modo iremos abordar as manifestações cutâneas, dividindo-as em exantema inicial, infecciosas, neoplásicas e por fim um grupo heterogéneo onde também se incluirão as reacções adversas à terapêutica associada à doença.

Exantema agudo pelo VIH

A infecção primária, quando sintomática, surge 2 a 6 semanas após exposição ao VIH e caracteriza-se por quadro semelhante a síndrome gripal, que em cerca de 70% dos casos é acompanhado por exantema maculo-papular rosa ou vermelho, principalmente do tronco, palmas e plantas, o qual é discreto e que muitas vezes passa despercebido. Pode acompanhar-se por lesões da mucosa oral.

Infecções virais

O herpes simples é muito comum na infecção pelo VIH. Na fase inicial da doença tem comportamento idêntico aos doentes não imunodeprimidos, com a característica erupção vesicular e pode curar sem tratamento. Com o aparecimento da imunossupressão estes aspectos clássicos perdem-se e observamos frequentemente erosões ou úlceras orais ou ano-genitais (Figura 1) por vezes de grandes dimensões e sendo muito dolorosas as da região ano-genital. Nos lábios pode-se observar crosta hemorrágica. Por vezes surge erupção disseminada. Quem não estiver atento para esta situação pode protelar o tratamento com grande desconforto para o doente. Há quem sugira nos doentes VIH positivos fazer tratamento anti-herpético para dor anal exuberante mesmo na ausência de lesão clínica. O tratamento com aciclovir ou valaciclovir, normalmente é eficaz. Nos casos graves pode ser necessário fazer tratamento endovenoso e as formas resistentes devem-se tratar com foscarnet.

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segunda-feira, 31 de Maio de 2010

Pele e Sida - I


Pele e Aids
Sarcoma de Kaposi

O sarcoma de kaposi (SK) foi o primeiro tumor cutâneo correlacionado com a infecção pelo HIV/AIDS, em 1981. Naquela época, acometia praticamente adultos jovens homossexuais e bissexuais do sexo masculino, e chegou a ser chamado pela imprensa sensacionalista como "câncer gay". Com o passar do tempo, foram descritos casos em mulheres parceiras de bissexuais com sarcoma de kaposi.

Há aproximadamente 6 anos foram observados casos de SK em homossexuais do sexo masculino que não estavam infectados pelo HIV, foi quando foi aventada a hipótese do SK ser uma doença sexualmente transmissível, e com algum agente causal, possivelmente um vírus.

Hoje sabemos que este agente é um tipo de vírus, denominado Herpesvírus Humano 8 (HHV8 ou HVSK - herpesvírus do sarcoma de kaposi). A via de transmissão ainda não está definida, mas este vírus é encontrado em grande quantidade na saliva, havendo a possibilidade dele ser transmitido por sexo oral ou até mesmo pelo beijo. Entretanto, todos estes estudos ainda precisam ser confirmados, sendo ainda muito cedo para se afirmar qualquer coisa.

Este vírus é importante na formação do SK, pois a doença só aparece em indivíduos infectados por ele. Cabe ressaltar que nem todas as pessoas infectadas por este vírus irão desenvolver SK. Existem outros fatores (imunológicos, genéticos, virológicos, etc.) importantes para o desenvolvimento da doença e que também ainda precisam ser melhor definidos.

Manifestações clínicas

As lesões de SK são elevadas, de coloração vermelho-arroxeada, e podem se localizar em qualquer parte da pele. A lesão inicial pode ser única, ou múltipla. Com a evolução, as lesões podem se agrupar e formar placas de formatos e tamanhos diferentes, que tendem a se tornarem mais roxas e com um halo amarelado ao redor.



Normalmente o SK é assintomático, a não ser em casos mais graves, quando algumas placas podem se tornar vegetantes (com aspecto de couve-flor) e/ou ulcerar, ou quando ficam muito grandes, comprimindo os tecidos abaixo delas e, desta maneira, podendo causar dor e/ou inchaço da área acometida.

Os pacientes com SK devem sempre ter a boca examinada por um especialista, principalmente a região do céu da boca, pois lesões nesta localização podem indicar o acometimento de outros órgãos (por exemplo: esôfago, intestino, pulmão, etc.).

Tratamento

Atualmente, com o uso da terapia antiretroviral altamente potente (chamada popularmente de "coquetel"), a conduta, perante um paciente que começa a AIDS com lesões de SK, é de aguardar a evolução. Normalmente, com este tratamento, as lesões podem regredir espontaneamente dentro de 3 a 6 meses.

Nos casos mais graves, ou naqueles em que as lesões não regridem com o "coquetel", pode-se utilizar a quimioterapia sistêmica, como tratamento auxiliar, com excelente resposta.

sábado, 29 de Maio de 2010

Pele: Sinais de risco



Quais são os sinais de risco

São os que mudam de forma, diâmetro, contornos ou cor e que podem indiciar uma lesão maligna. Sobretudo numa pele agredida pelos raios solares, com um historial de queimaduras. É terreno fértil para o melanoma, o mais grave dos tumores cutâneos e que está a crescer a cada Verão que passa.
As estatísticas são frias mas reflectem a realidade de uma forma indesmentível: em Portugal, todos os anos surgem cerca de dez mil novos casos de tumores cutâneos, quase mil dos quais correspondem à sua forma mais maligna - o melanoma, cuja taxa de mortalidade oscila entre os 10 e os 20 por cento após cinco a dez anos, mas depende do estádio do melanoma na altura do diagnóstico.

As estatísticas dizem ainda que um em cada três cancros na população branca é cutâneo, sendo que uma em cada seis pessoas poderá desenvolver a doença ao longo da vida. E o sol é responsável por cerca de 90 por cento destes casos.

A incidência do melanoma está a aumentar, duplicando em cada década desde 1930: nessa altura, o risco de desenvolver este tumor cutâneo maligno era de um para cada 1.500 pessoas, mas na viragem do século tinha já disparado para um em cada 80 pessoas.

São números avançados a cada Verão com a missão de alertar a população para os riscos da exposição excessiva e desprotegida ao sol. Na origem desta escalada estão, de acordo com os especialistas, os maus hábitos, nomeadamente a falta de protecção solar adequada e a exposição ao sol nas horas em que ele incide mais a pique sobre o corpo, mas também as férias-relâmpago para países tropicais, com a mudança abrupta de latitude a impedir que a pele se adapte.

Os solários também contribuem para este cenário, sabendo-se que dez exposições anuais nas máquinas de bronzear aumentam em oito vezes o risco de desenvolver cancro da pele. Assim se explica que, de acordo com a Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo, estes tumores estejam a aumentar de uma forma selectiva, com maior incidência nas classes média-alta e alta.

Ainda assim os mais descuidados na relação com o sol continuam a ser os jovens. Um inquérito divulgado recentemente dá conta de que 70 por cento dos jovens entre os 16 e os 24 anos frequentam a praia no chamado horário vermelho e sem protecção adequada. São, pois, sérios candidatos a desenvolver cancro da pele.

Pele ameaçada

O melanoma é o tipo de cancro cutâneo mais grave, mas menos frequente, com a maioria dos casos a corresponderem a carcinomas, baso-celulares ou espino-celulares.

Os primeiros são os mais vulgares, atingindo sobretudo as pessoas de pele clara que se expõem regularmente ao sol por via da sua actividade profissional: as suas "vítimas" encontram-se entre os trabalhadores rurais, pescadores, trabalhadores da construção civil. Daí que as áreas do corpo mais vulneráveis sejam as que estão mais expostas ao sol, como a face, o pescoço e o dorso.

É quase sempre depois dos 40 este carcinoma se manifesta, sob a forma de um nódulo rosado e brilhante, de crescimento lento, ou de uma ferida superficial sem causa aparente e sem tendência para desaparecer espontaneamente.

O tratamento existe e, se aplicado nas fases iniciais, resulta quase sempre na cura. Mas se o tumor evoluir sem intervenção pode tornar-se muito agressivo e invadir os tecidos vizinhos, provocando grandes defeitos e mutilações (no nariz, pavilhões auriculares e pálpebras, por exemplo). Mesmo assim é possível obter bons resultados com recurso à cirurgia e radioterapia, embora haja o risco de o doente ficar desfigurado devido às lesões.

Também o carcinoma espino-celular predomina entre as pessoas que estão permanentemente expostas ao sol, mas de idades mais avançadas. É igualmente nas áreas mais expostas, como a face, o pescoço, o dorso das mãos e as pernas que surge, quase sempre sobre lesões pré-cancerosas ou a partir de cicatrizes ou úlceras.

É mais agressivo e de crescimento mais rápido do que o baso-celular, apresentando-se como um nódulo com tendência para sangrar ou lesão lisa com crosta descamativa que não cura, ou como uma úlcera. Se não tratado, pode invadir os tecidos circundantes e, além disso, originar metástases à distância passíveis de causar a morte.

Contudo, quando diagnosticado e tratado a tempo são elevadas as probabilidades de cura. Quanto ao melanoma é, de facto, o mais agressivo de todos os tumores cutâneos. E, ao contrário dos demais, não está associado a uma exposição crónica ao sol, mas a uma exposição intempestiva e intermitente.

Quase sempre existe um passado de "escaldões" em idades mais jovens. Muitas vezes tudo começa com um sinal...

De olho nos sinais

A maior parte de nós possui lesões pigmentadas no corpo: são os sinais, as sardas, as manchas de cor escura - pelo menos 25 em todo o corpo de um adulto. Não os vemos como lesões, mas são-no de facto. E vão-se adquirindo com o crescimento, pois poucos são os sinais de nascença.

Também não os vemos como perigosos, nem lhe prestamos grande atenção, confiando no facto de a grande maioria ser benigna. Todavia, há alterações - na forma, nos contornos, no diâmetro ou na cor - que podem constituir o primeiro indício de um qualquer tipo de cancro da pele.

Perdem o seu carácter benigno. E o melanoma é precisamente um tumor maligno que se desenvolve a partir das células pigmentadas da pele, os melanócitos. E desenvolve-se predominantemente numa pele já agredida pelos raios solares, uma pele que já sofreu os famosos escaldões: são queimaduras solares, aparentemente passageiras, mas que deixam marcas subliminares, que vão sendo como que memorizadas até que, com o tempo e com a continuidade da exposição excessiva ao sol, acabam por despertar e originar alterações celulares próprias de um tumor.

Aliás, possuir antecedentes de queimaduras solares na infância e/ou adolescência constitui um factor de risco no que toca ao melanoma, tal como possuir antecedentes familiares, ser de pele clara, ter olhos azuis, dificuldade em bronzear-se e tendência para fo rmar sardas, bem como ser portador de um grande número de sinais. Um factor de risco acrescido é, naturalmente, apresentar sinais que se alterem.

São os sinais que denunciam a doença, pelo que os especialistas recomendam a todas as pessoas que façam um auto-exame cutâneo regular como forma de se familiarizarem com as manchas pigmentadas e os sinais e estarem, assim, melhor preparadas para fazer o despiste precoce de uma eventual alteração. Não se trata de ser a própria pessoa a fazer o diagnóstico precoce da doença, mas sim de a habilitar a consultar rapidamente um dermatologista se tiver suspeitas.

Neste auto-exame deve-se ter particular atenção ao tamanho dos sinais, à sua forma, bordo, cor e evolução. A cada um dos sinais, mas sobretudo se surgir um novo, deve aplicar-se a chamada regra ABCDE - A de assimetria, B de bordo, C de cor, D de diâmetro e E de espessura.

Assim, há que tentar perceber se a forma do sinal é irregular ou redonda, se o contorno é irregular ou delimitado, se a cor é uniforme ou não, se o diâmetro é inferior ou superior a cinco milímetros e se houve espessamento recente ou não do sinal.

No fundo, é a irregularidade que alimenta a suspeita, na medida em que um sinal de forma simétrica, de contornos arredondados, de cor uniforme, com menos de cinco milímetros de diâmetro e que não tenha sofrido mutações na sua espessura é um sinal que não deve merecer preocupação de maior. Caso contrário, é melhor tirar as dúvidas com um especialista.

Até porque nem todas as alterações significam um tumor. Um melanoma pode desenvolve se em qualquer parte do corpo, mas parecem existir algumas diferenças entre sexos. Assim, nos homens a mutação celular acontece geralmente ao nível do tronco, da cabeça e do pescoço, enquanto nas mulheres ocorre com mais frequência nos braços e pernas.

Tempo precioso para a vida

Significa isto que, em matéria de melanoma, o despiste e o diagnóstico precoces podem ser fundamentais, podem marcar a diferença entre a vida e a morte. Porque, se não for tratado na sua fase mais inicial, o melanoma constitui uma severa ameaça à vida. É que, além de ser um tumor maligno, tem uma enorme capacidade para se metastizar, estendendo-se a outros órgãos que não a pele - gânglios, fígado, pulmões, entre outros.

Nesta altura, a probabilidade de remissão é já muito reduzida, ao contrário do que acontece quando o tempo joga a favor do doente. Daqui a importância de não conviver com a suspeita nem com o receio de ela se confirmar: à mínima dúvida, mesmo que pareça infundada, há que procurar conselho médico.

Uma biópsia à lesão cutânea permite encontrar as respostas que se impõem: trata-se da análise laboratorial de um pequeno fragmento da pele lesionada para detectar eventuais células malignas. Se o diagnóstico for positivo, há que iniciar de imediato o tratamento, que é quase sempre cirúrgico para remoção do tumor mas que, quando houve metastização, costuma ser acompanhado de quimioterapia e de radioterapia.

O objectivo de qualquer uma destas técnicas é destruir as células malignas, no primeiro caso recorrendo a medicamentos injectados por via endovenosa, no segundo caso mediante a exposição a radiações em doses elevadas e de alta energia.


Esta é uma ameaça real à vida, uma ameaça que se renova a cada exposição solar. O melanoma é mesmo o lado mais negro do sol. Desnecessariamente...

Benigno ou maligno?

Quando se fala de cancro cutâneo todos os sinais corporais ficam de imediato sob suspeita. Mas nem todos são malignos, conforme o recurso à regra ABCDE (explicada no texto principal) indica. Para reforçar esta regra, a Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APPC) deixa na sua página na internet alguns exemplos que a seguir se reproduzem:

Benigno - sinal de aspecto normal, contorno regular

Duvidoso - contorno irregular com cor desigual; talvez benigno, mas necessita ser examinado pelo médico

Maligno - contorno irregular, cor negra, não uniforme: melanoma superficial, tratar sem demora

Maligno - forma irregular e cor desigual: melanoma nodular, tratar sem demora.

As horas do risco

O risco de uma exposição excessiva e desprotegida ao sol existe sempre, mas, ao longo do dia, há horas mais perigosas do que outras. Vejamos como se distribui o risco:

• Muito elevado - das 12 às 16 h

• Elevado - entre as 11 e as 12 e entre as 16 e as 17 h

• Médio - das 10 às 11 e das 17 às 18 h

• Mínimo - entre as 8 e as 10 e entre as 18 e as 21 h.

Conhecer este relógio de sol é meio caminho andado para escolhas mais saudáveis para a pele.


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quarta-feira, 26 de Maio de 2010

Angiodermite pigmentar


O que é?
Manchas que atingem as pernas resultantes do extravasamento de sangue de pequenos vasos sanguíneos. Acomete adultos e idosos que permanecem muito tempo em pé ou sentados. As células vermelhas do sangue, que saem dos vasos, dão origem à pigmentação de cor ocre resultante. O excesso de peso e as varizes favorecem o surgimento do quadro.

Manifestações clínicas

As manchas atingem as pernas e tornozelos, começando bem pequenas e progressivamente confluindo para formar manchas maiores. Com a evolução, forma-se uma mancha, com formato de bota, de coloração castanha, ocre ou marrom.

A angiodemite pigmentar pode ser o estágio precursor de uma úlcera de estase, quando forma-se uma ferida de difícil cicatrização, geralmente iniciada por um pequeno traumatismo.

Tratamento

Como medidas de prevenção, recomenda-se evitar o excesso de peso e permanecer em pé ou sentado por muito tempo. Para pessoas cujas profissões as obrigam a ficar nestas posições, é indicado o uso de meias elásticas compressivas e elevação dos membros sempre que possível. Também é recomendável adquirir o hábito de caminhar.

As manchas são permanentes, de difícil remoção. O médico dermatologista é o profissional indicado para o correto diagnóstico da angiodermite.



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segunda-feira, 24 de Maio de 2010

Pele seca


A pele seca é muito frequente, em especial nas pessoas de idade avançada. As causas habituais são o clima frio e os banhos frequentes. O banho elimina a gordura superficial e então a pele tende a secar. A pele seca pode ficar irritada e costuma provocar comichão (por vezes, soltam-se pequenas escamas e formam-se escaras). As escamas costumam afectar a parte inferior das pernas.

Por vezes a pele extremamente seca (ictiose) deriva de uma doença escamosa hereditária, como a ictiose simples ou a hiperqueratose epidermolítica. Uma pessoa com ictiose simples apresenta escamas finas, mas não bolhas. Os doentes com hiperqueratose epidermolítica têm escamas grossas semelhantes a verrugas e a bolhas dolorosas que exalam um odor desagradável. A ictiose também é consequência de perturbações não congénitas, como a lepra, o hipotiroidismo, o linfoma, a SIDA e a sarcoidose.

Tratamento

A chave para tratar a secura da pele é mantê-la húmida. Lavar-se menos vezes permite que os óleos protectores permaneçam mais tempo na pele. Os unguentos ou os cremes como a gelatina de petróleo (vaselina), o óleo mineral ou os hidratantes sem aroma também podem reter a humidade da pele. Os sabões e detergentes fortes, bem como os perfumes de certos hidratantes, irritam a pele e podem secá-la ainda mais. Esfregar ou coçar a pele seca pode provocar uma infecção com posterior desenvolvimento de cicatrizes.

Quando as escamas constituem um problema, existem soluções ou cremes com ácido salicílico que podem eliminá-las. Nos adultos, o médico pode recomendar envolver a pele com uma ligadura oclusiva feita de uma película de plástico ou celofane depois de aplicar estes tratamentos. No que diz respeito às crianças, deve-se prescindir do uso destas ligaduras.

Em algumas formas graves de ictiose, os cremes que contêm vitamina A (tretinoína) são muito eficazes. Os compostos derivados de vitamina A ajudam a que a pele elimine o excesso de escamas. O etretinato, um fármaco semelhante à vitamina A, usa-se para certas formas de ictiose. Nos casos de hiperqueratose epidermolítica, podem ser utilizados antibióticos e um poderoso sabão desinfectante como a clorexidina.


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sábado, 22 de Maio de 2010

O cancro de pele


Como prevenir e detectar o cancro da pele. Tem elevadas taxas de cura quando diagnosticado e tratado na fase inicial.

O cancro da pele é o tipo de cancro mais frequente nos indivíduos de raça branca (caucasiana). A exposição excessiva ao sol é considerada a causa mais frequente de cancro da pele (cerca de 90 por cento dos casos).

Quais são os tipos de cancro da pele mais frequentes?

Basalioma ou carcinoma baso-celular;
Carcinoma espinocelular ou pavimento-celular;
Melanoma maligno.
O que é o basalioma ou carcinoma baso-celular?

É o tipo de cancro cutâneo mais vulgar. Atinge sobretudo as pessoas de pele clara que se expõem regularmente ao sol: trabalhadores rurais, pescadores, trabalhadores da construção civil, etc. Surge habitualmente depois dos 40 anos e localiza-se preferencialmente nas áreas do corpo mais expostas ao sol: face, pescoço e dorso.

Pode manifestar-se sob a forma de um nódulo rosado e brilhante, de crescimento lento ou de uma ferida superficial, que surge sem causa aparente e que não revela tendência para a cura espontânea.

O tratamento, nas fases iniciais, é muito simples e resulta quase sempre na cura do tumor. Todavia, se for deixado evoluir sem tratamento, pode tornar-se muito agressivo, invadindo os tecidos circundantes, e provocar grandes defeitos e mutilações, sobretudo em certas áreas anatómicas (nariz, pavilhões auriculares, pálpebras, etc.). Mesmo nestas fases é muitas vezes possível curar o tumor recorrendo à cirurgia e à radioterapia. Só que o doente pode ficar desfigurado para o resto da vida.

O que é o carcinoma espinocelular?

É o segundo tipo de cancro da pele mais frequente. Atinge igualmente os grupos profissionais que estão permanentemente expostos ao sol, mas de grupos etários mais avançados que no caso do basalioma.

Surge nas áreas do corpo mais expostas (face, pescoço, dorso das mãos e pernas) e quase sempre sobre lesões precursoras (pré-cancerosas). Na maior parte dos casos surge sobre as chamadas queratoses solares ou actínicas, mas também pode originar-se a partir de cicatrizes, pós-queimadura, úlceras e fístulas crónicas ou em pessoas que estiveram muito tempo em contacto com agentes carcinogénicos (tabaco, raios X, arsénico, alcatrão e derivados).

O carcinoma espinocelular é um tumor mais agressivo e de crescimento mais rápido que o basalioma. Manifesta-se habitualmente sob a forma de um nódulo, de crescimento rápido, com tendência para ulcerar e sangrar facilmente. Além de ser localmente invasivo pode, abandonado à sua evolução natural, dar origem a metástases à distância, que podem invadir órgãos vitais e provocar a morte.

Todavia, quando diagnosticado e tratado a tempo tem elevadas probabilidades de cura.

O que é o melanoma?

É o cancro da pele mais perigoso e um dos tumores malignos mais agressivos da espécie humana. Origina-se a partir dos melanócitos da epiderme, células responsáveis pelo fabrico do pigmento natural (melanina) que dá a cor bronzeada à pele. Atinge grupos etários mais jovens que o basalioma e o carcinoma espinocelular.

Ao contrário do basalioma ou do carcinoma espinocelular, que estão relacionados com a exposição crónica ao sol, o melanoma maligno parece estar mais associado à exposição solar intermitente, aguda e intempestiva, muitas vezes acompanhada de queimaduras solares ("escaldões"), especialmente quando ocorridos em idades jovens.

O melanoma maligno pode surgir sobre pele aparentemente sã, em qualquer parte do corpo ou sobre sinais preexistentes. O aspecto inicial do melanoma é variado, mas caracteriza-se, habitualmente, pelo aparecimento de um pequeno nódulo ou mancha, de cor negra de alcatrão, sobre pele aparentemente sã ou sobre um sinal já existente.

O tratamento é quase sempre cirúrgico e, quando efectuado nas fases iniciais, em que o tumor ainda é muito fino (espessura inferior a meio milímetro), atinge elevadas taxas de cura. Todavia, quando o tumor já é muito espesso (espessura superior a quatro milímetros), as probabilidades de cura ficam drasticamente reduzidas, existindo o risco eminente de metastização à distância.

O diagnóstico precoce é, pois, fundamental.

Quais são os sinais de alarme em relação ao melanoma?

Surgimento recente de um sinal de cor negra em pele aparentemente sã;
Modificação de um sinal já existente;
Alteração do tamanho (crescimento recente);
Alteração da forma (contorno irregular);
Alteração da cor (negra, castanha, rosada);
Aparecimento de prurido (comichão);
Aparecimento de inflamação (vermelhidão);
Aparecimento de ulceração (ferida);
Aparecimento de hemorragia (sangra facilmente).
A que sinais se deve dar atenção?

A maioria esmagadora dos sinais da pele (nevos), quer de nascença quer adquiridos, é completamente inofensiva. Porém, existem alguns, com aspecto particular (nevos atípicos) que podem indicar um maior risco de vir a ter um melanoma.

Características dos nevos:

Nevos atípicos: assimétricos, bordo irregular, cor não uniforme, diâmetro superior a seis milímetros;
Nevos vulgares: simétricos, bordo regular, cor castanha uniforme, diâmetro inferior a seis milímetros.
As pessoas com muitos sinais são aconselhadas a fazer o auto-exame da pele cerca de uma vez por mês. Em caso de dúvida, deve consultar um dermatologista.

Quais são os factores de risco?

Pele clara e sardenta;
Cabelo ruivo ou loiro;
Olhos azuis ou esverdeados;
Queimadura solar fácil, bronzeamento difícil;
Antecedentes de queimadura solar;
Exposição irregular e intermitente ao sol;
Muitos sinais espalhados pelo corpo;
Antecedentes de melanoma em familiares.




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quinta-feira, 20 de Maio de 2010

A ictiose


Como surge esta doença?
A nossa pele sofre um processo de renovação contínuo. A pele e constituída por células unidas entre si, por uma substância denominada de matriz extra-celular. As células da pele vão envelhecendo de forma espontânea e uma vez mortas, a pele sofre um processo de descamação da camada córnea – mais superficial – que em pessoas de pele normal é invisível e organizada.

Nos doentes com ictiose, a descamação é alterada por vários motivos: têm demasiadas células a envelhecer ao mesmo tempo e acabam por morrer em grandes quantidades ou as células que envelhecem, fazem-no de forma não natural, acabando por ficar retidas na camada córnea, em forma de escamas aderentes.

Apesar de haver vários intervenientes neste processo o resultado final é muito semelhante clinicamente: um estrato córneo anormal, com escamas e endurecimento da pele, a hiperqueratose. Em algumas doenças o que provoca a mutação é conhecido e encontra-se bem definido como, por exemplo, na hiperqueratose epidermolítica, onde ocorre uma alteração das queratinas 1 e 10.

Consequências
Esta doença provoca vários tipos de problemas, entre os mais comuns e ligeiros, os doentes portadores desta doença encontram dificuldade em movimentar-se, pois a sua pele tende a formar gretas e fissuras, chegando a ficar ressequida.

A ictiose pode ser uma doença desfigurativa, não só a nível estético, mas também causar dificuldades ao nível da inserção social, laboral e até mesmo implicações psicológicas. [ como se eu não soubesse... ]

Diagnóstico e Tratamento
Não existe nenhuma cura para a Ictiose, apenas tratamentos, muitos deles sob a forma de cremes e hidratação constante que ajuda a suavizar e aliviar os sintomas.

A Ictiose é correntemente classificada na base da aparência clínica e padrão hereditário. Apenas um dermatologista experiente poderá fazer um diagnostico correcto para determinar qual o tipo de Ictiose.

A biopsia ou um teste genético, através de uma recolha de sangue, são os métodos mais seguros e eficazes para um diagnóstico acertado. A hidratação constante e regular é a melhor forma de garantir alguma qualidade de vida e conforto aos doentes portadores desta doença.

Cuidados com a pele

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terça-feira, 18 de Maio de 2010

A Ictiose Fetal de Harlequin

A Ictiose do tipo Harlequin (Ichthyosis Fetalis; Harlequin Fetus) é um raro distúrbio genético da pele, a mais severa forma de ictiose congênita. A sua característica principal é o afinamento da camada de queratina pele fetal. Sua causa foi identificada com uma mutação no gene ABCA12 no Cromossomo 2, responsável pelo transporte de lipídeos, sendo que os acometidos são homozigóticos para o gene, o que sugere uma herança autossômica recessiva.

O recém-nascido é coberto por placas de uma pele fina que racha e se parte. As finas placas podem esticar, repuxar a pele do rosto e distorcer, assim, as características faciais, bem como restringir a capacidade de respiração e alimentação. Crianças com Harlequin precisam ser dirigidas ao tratamento neonatal intensivo imediatamente.
Devido à falta de elasticidade da pele, visto que onde deveria haver a pele normal há massivas escamas que lembram a forma de diamantes, a principal função dela, que seria a de proteger, é defasada. Por isso, a partir do momento em que a pele racha onde deveria esticar, é de fácil acontecimento a contração de infecções letais no portador do distúrbio a partir da penetração de bactérias e outros agentes contaminantes através das fissuras.
A doença é rara e no mundo todo só foram relatados 100 casos, com mortalidade de 98%.
O termo Harlequin vem tanto da expressão facial do bebê quanto da forma de diamante das escamas que lembra as fantasias de Harlequin.
Veja abaixo o vídeo de um recém-nascido portador da doença, na Arábia Saudita. As imagens são forte e são de dar muito dó no coração.

segunda-feira, 10 de Maio de 2010

Tudo o que devemos saber sobre a dermatite atópica - 2



Uma afecção muito comum

A percentagem de crianças que padecem de eczema atópico é relativamente elevada: entre 20 e 25 por cento, de modo que se trata de consulta por demais habitual nos consultórios de dermatologia infantil, especialmente nas épocas de mudança de estação. Costuma-se apresentar com maior frequência durante os primeiros dois anos de vida, embora também se observe em adolescentes e pessoas adultas. Nos menores de dois anos, as estatísticas demonstram que é mais comum nos meninos que nas meninas (2 a 1). De todas as maneiras, as crianças que a padecem podem e devem fazer uma vida normal. Convém recordar, ainda assim, que não se trata de uma doença contagiosa, e que em 60 por cento dos casos se resolve antes dos seis anos de vida.

O QUE FAZER

Embora não exista um tratamento que permita “curar” a doença, existem várias medidas que ajudam a paliar os sintomas:

Como a dermatite atópica se caracteriza pela secura extrema da pele, é necessário aplicar cremes emolientes e nutritivos para humedecê-la e restaurar a gordura cutânea.

O banho diário ajuda a eliminar as bactérias e a pele escamada, mas convém que seja breve (não mais de 5 a 10 minutos), de preferência com duche, água morna e sabão de pH neutro, e evitar o uso da esponja. Depois, secar com a toalha sem esfregar.
Geralmente, não é necessário efectuar nenhuma dieta, excepto se porventura se notou algum aparecimento depois de ter comido determinado alimento.
Convém evitar a soja e o amendoim, em todas as suas apresentações, a menos que se tenha a certeza que não produzem qualquer tipo de reacção.
Para acalmar a intensa comichão e evitar o coçar enérgico e a consequente infecção, indicam-se anti-histamínicos orais, que embora não curem aliviam os sintomas.
Se porventura é uma dermatite moderada ou grave, além das medidas higiénicas, dietéticas indicadas e dos anti-histamínicos, pode recomendar-se a aplicação de cremes específicos localmente.
Recomenda-se manter as unhas cortadas e limpas, de modo a evitar que a pele se infecte como consequência do coçar energético.
Contrariamente ao que muitos papás pensam, não há inconvenientes para que a criança pratique natação, com a única indicação de que tome um duche ao sair da piscina para eliminar o cloro, e coloque logo um creme nutritivo.
No que diz respeito aos cuidados com o Sol, devem tomar-se as mesmas precauções que se tomam com todas as crianças: aplicar um protector solar com factor protector 50, que preserve tanto dos raios UVA como UVB.


Coloque as suas dúvidas e peça os esclarecimentos que desejar para angraderme@gmail.com